Pesquisadores da FOP estudam bactérias causadoras da cárie

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No Brasil ainda há índices relativamente altos de cárie, principalmente nas crianças em idade escolar. A cárie dentária é um dos principais motivos que levam a perda de dentes pela progressão, comprometimento da vitalidade e infecção dos canais radiculares. Nesse sentido, a cárie profunda é um dos motivos principais que levam a perda de dentes. Para evitar essa perda, tem se procurado remover menos quantidade de tecido dentário cariado (dentina) para diminuir a possibilidade de expor a polpa dentária e a necessidade de tratamento de canal, que não garante sucesso. A remoção parcial do tecido cariado, isto é, da parte mais amolecida e infectada pelas bactérias, permite que a polpa, que é quem determina a vitalidade do dente, se restabeleça e produza mais dentina para protegê-la, evitando o tratamento de canal, diminuindo a possibilidade de perda do dente.

Essa remoção é feita com auxílio de instrumento manual, diminuindo o desconforto para o paciente com o uso de brocas em alta e baixa rotação. Além disso, há necessidade de uso de material que seja compatível com a polpa para proteger a parte interna da cavidade limpa. O material mais utilizado para essa função é o cimento de ionômero de vidro que adere à estrutura do dente, no esmalte e na dentina. Entretanto, essa técnica permite que parte das bactérias que habita as porções mais profundas da dentina permaneça, uma vez que não elimina por completo as bactérias presentes no tecido que se encontra mais endurecido (dentina afetada ou alterada).

A necessidade de tratamento que diminua ou evite o desenvolvimento das bactérias remanescentes motivou pesquisadores da Faculdade de Odontologia de Piracicaba (FOP) da Unicamp a buscar meios alternativos para tratar a dentina afetada, aumentando a capacidade antibacteriana do cimento de ionômero de vidro utilizado nesse procedimento restaurador. Os resultados da tese de doutorado da cirurgiã-dentista Aline Rogéria Freire de Castilho foram animadores, ao verificar que a incorporação de antimicrobianos ao cimento de ionômero de vidro melhora o efeito antibacteriano do cimento, sendo biocompatível e sem perder a resistência mecânica e a adesão ao dente. A pesquisa avaliou a adição de digluconato de clorexidina e hiclato de doxiciclina em diferentes concentrações ao cimento de ionômero de vidro modificado por resina Fuji Lining LC (GC Corp., Japão), verificando-se que ambos os antimicrobianos são eficazes na inibição de crescimento de microrganismos cariogênicos.

De acordo com a orientadora do trabalho, professora da área de odontopediatria da FOP, Regina Maria Puppin Rontani, essa nova fórmula tem a capacidade de matar os microorganismos que por ventura tenham ficado na dentina após a remoção parcial do tecido cariado. Esse é o efeito antimicrobiano, cuja função é combater, controlar o crescimento e desenvolvimento dos microorganismos, consequentemente, inibindo a progressão da cárie, revela a pesquisadora.

fonte: FOP